Ladainha do SS. Nome de Jesus

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai Celeste que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, redentor do mundo, que sois Deus.
Espírito Santo, que sois Deus,
Santíssima Trindade, que sois um só Deus,
Jesus Filho de Deus vivo,
Jesus, esplendor do Pai,
Jesus, pureza da luz eterna,
Jesus, Rei da glória,
Jesus, sol de justiça,
Jesus, Filho da Virgem Maria,
Jesus amável,
Jesus admirável,
Jesus, Deus forte,
Jesus, Pai do futuro século,
Jesus, Anjo do grande conselho,
Jesus poderosíssimo,
Jesus pacientíssimo,
Jesus obedientíssimo,
Jesus, brando e humilde de coração
Jesus, amante da castidade,
Jesus, amador nosso,
Jesus, Deus da paz,
Jesus, autor da vida,
Jesus, exemplar das virtudes,
Jesus, zelador das almas,
Jesus, nosso Deus,
Jesus, nosso refúgio,
Jesus, pai dos pobres,
Jesus, tesouro dos fiéis,
Jesus, bom Pastor,
Jesus, verdadeira luz,
Jesus, Sabedoria eterna,
Jesus, bondade infinita,
Jesus, nosso caminho e nossa vida,
Jesus, alegria dos Anjos,
Jesus, Rei dos Patriarcas,
Jesus, Mestre dos Apóstolos,
Jesus, Doutor dos evangelistas,
Jesus, fortaleza dos Mártires,
Jesus, luz dos Confessores
Jesus, pureza das virgens,
Jesus, coroa de todos os santos,
Sede-nos propício: perdoai-nos, Jesus.
Sede-nos propício, ouví-nos, Jesus.
De todo o mal, livrai-nos Jesus.
De todo o pecado,
Da vossa ira,
Das cidades do demônio,
Do espírito da impureza,
Da morte eterna,
Do desprezo das vossas inspirações,
Pelo mistério da vossa santa Encarnação,
Pela vossa natividade,
Pela vossa infância,
Por toda a vossa santíssima vida,
Pelos vossos trabalhos,
Pela vossa agonia e pela vossa paixão,
Pela vossa cruz e pelo vosso desamparo,
Pelas nossas angústias,
Pela vossa morte e pela vossa sepultura,
Pela vossa ressurreição,
Pela vossa ascensão,
Pela vossa instituição da santíssima Eucaristia.
Pelas vossas alegrias,
Pela vossa glória,

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos Jesus.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos Jesus.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós, Jesus.

Jesus, ouvi-nos.
Jesus, atendei-nos.

Oremos: Senhor Jesus Cristo que dissestes: Pedi e recebereis; buscais e achareis; batei e abrir-se-vos-á,nos vos suplicamos que concedas a nós, que vo-lo pedimos, os sentimentos afetivos de vosso divino amor, a fim de que nós de todo coração e que esse amor transcenda por nossas ações, sem que deixemos de vos amar. Permiti que tenhamos sempre, Senhor , um igual temor e amor pelo vosso santo nome; pois não deixais de governar aqueles que estabeleceis na firmeza do vosso amor.Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos.
Amem.

Em Latim


Kyrie, eleison.
Christe, eleison.
Kyrie, eleison.
Iesu, audi nos.
Iesu, exaudi nos.
Pater de caelis, Deus, miserere nobis.
Fili, Redemptor mundi, Deus,
Spiritus Sancte, Deus,
Sancta Trinitas, unus Deus,
Iesu, Fili Dei vivi
Iesu, splendor Patris,
Iesu, candor lucis aeternae,
Iesu, rex gloriae,
Iesu, sol iustitiae,
Iesu, Fili Mariae Virginis,
Iesu, amabilis,
Iesu, admirabilis,
Iesu, Deus fortis,
Iesu, pater futuri saeculi,
Iesu, magni consilii angele,
Iesu potentissime,
Iesu patientissime,
Iesu obedientissime,
Iesu, mitis et humilis corde,
Iesu, amator castitatis,
Iesu, amator noster,
Iesu, Deus pacis,
Iesu, auctor vitae,
Iesu, exemplar virtutum,
Iesu, zelator animarum,
Iesu, Deus noster,
Iesu, refugium nostrum,
Iesu, pater pauperum,
Iesu, thesaure fidelium,
Iesu, bone pastor,
Iesu, lux vera,
Iesu, sapientia aeternae,
Iesu, bonitas infinita,
Iesu, via et vita nostra,
Iesu, gaudium Angelorum,
Iesu, rex Patriarcharum,
Iesu, magister Apostolorum,
Iesu, doctor Evangelistarum,
Iesu, fortitudo Martyrum,
Iesu, lumen Confessorum,
Iesu, puritas Virginum,
Iesu, corona Sanctorum omnium,
Propitius esto, parce nobis, Iesu.
Propitius esto, exaudi nos, Iesu.
Ab omni malo, libera nos, Iesu.
Ab omni peccato,
Ab ira tua,
Ab insidias diaboli,
A spiritu fornicationis,
A morte perpetua,
A neglectu inspirationeum tuarum,
Per mysterium sanctae Incarnationis tuae,
Per nativitatem tuam,
Per infantiam tuam,
Per divinissimam vitam tuam,
Per labores tuos,
Per agoniam et passionem tuam,
Per crucem et derelictionem tuam,
Per languores tuos,
Per mortem et sepulturam tuam,
Per resurrectionem tuam,
Per ascensionem tuam,
Per sanctissimae Eucharistiae institutionem tuam,
Per gaudia tua,
Per gloriam tuam,

Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, parce nobis, Domine.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, exaudi nos, Iesu.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, miserere nobis, Iesu.

Iesu, audi nos.
Iesu, exaudi nos.

Oremus: Domine Iesu Chiristi, qui dixisti: Petite, et accipietis; quaeriti, et invenietis; pulsate et aperietur vobis; quesumus da nobis, petentibus,divinissimi tui amoris affectum, ut te todo corde, ore et opere diligamus et a tua nunquam laude cessemus. Sancti nominis tui, Domine, timorem pariter et amorem facnos habere perpetuum. quia nunquan tua gubernatione destituis,quos in soliditare tuae dilectionis instituis. Qui vivis et regnas in saecula saeculorum.
Amén.

Ladainha do S. Coração de Jesus

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai celeste que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Filho do Pai Eterno, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Mãe,
Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus,
Coração de Jesus, de majestade infinita,
Coração de Jesus, templo santo de Deus,
Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo,
Coração de Jesus, casa de Deus e porta do céu,
Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade,
Coração de Jesus, receptáculo de justiça e de amor,
Coração de Jesus, cheio de bondade e de amor,
Coração de Jesus, abismo de todas as virtudes,
Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor,
Coração de Jesus, Rei e centro de todos os corações,
Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência,
Coração de Jesus, no qual habita toda a plenitude da divindade,
Coração de Jesus, no qual o Pai põe as suas complacências,
Coração de Jesus, de cuja plenitude nós todos participamos,
Coração de Jesus, desejo das colinas eternas,
Coração de Jesus, paciente e misericordioso,
Coração de Jesus, rico para todos os que vos invocam,
Coração de Jesus, fonte de vida e santidade,
Coração de Jesus, propiciação pelos nossos pecados,
Coração de Jesus, saturado de opróbrios,
Coração de Jesus, atribulado por causa de nossos crimes,
Coração de Jesus, feito obediente até à morte,
Coração de Jesus, atravessado pela lança,
Coração de Jesus, fonte de toda a consolação,
Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição,
Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação,
Coração de Jesus, vítima dos pecadores,
Coração de Jesus, salvação dos que esperam em vós,
Coração de Jesus, esperança dos que expiram em vós,
Coração de Jesus, delícia de todos os santos,
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos Senhor.
 Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.

V. Jesus, manso e humilde de coração,
R. Fazei nosso coração semelhante ao vosso.

Oremos. Deus onipotente e eterno, olhai para o Coração de vosso Filho diletíssimo e para os louvores e as satisfações que ele, em nome dos pecadores vos tributa; e aos que imploram a vossa misericórdia concedei benigno o perdão em nome do vosso mesmo Filho Jesus Cristo, que convosco vive e reina por todos os séculos dos séculos.
Amém.

Em Latim


Kýrie, eléison.
Christe, eléison.
Kýrie, eléison.
Christe, audi nos.
Christe, exáudi nos.
Pater de cælis, Deus, miserére nobis.
Fili, Redémptor mundi, Deus, miserére nobis.
Spíritus Sancte, Deus, miserére nobis.
Sancta Trínitas, unus Deus, miserére nobis.
Cor Iesu, Filii Patris æterni, miserére nobis.
Cor Iesu, in sinu Virginis Matris a Spiritu Sancto formatum,
Cor Iesu, Verbo Dei substantialiter unitum,
Cor Iesu, maiestatis infinitæ,
Cor Iesu, templum Dei sanctum,
Cor Iesu, tabernaculum Altissimi,
Cor Iesu, domus Dei et porta cæli,
Cor Iesu, fornax ardens caritatis,
Cor Iesu, iustitiæ et amoris receptaculum,
Cor Iesu, bonitate et amore plenum,
Cor Iesu, virtutum omnium abyssus,
Cor Iesu, omni laude dignissimum,
Cor Iesu, rex et centrum omnium cordium,
Cor Iesu, in quo sunt omnes thesauri sapientiæ et scientiæ,
Cor Iesu, in quo habitat omnis plenitudo divinitatis,
Cor Iesu, in quo Pater sibi bene complacuit,
Cor Iesu, de cuius plenitude omnes nos accepimus,
Cor Iesu, desiderium collium æternorum,
Cor Iesu, patiens et multæ misericordiæ,
Cor Iesu, dives in omnes qui invocant te,
Cor Iesu, fons vitæ et sanctitatis,
Cor Iesu, propitiatio pro peccatis nostris,
Cor Iesu, saturatum opprobriis,
Cor Iesu, attritum propter scelera nostra,
Cor Iesu, usque ad mortem obediens factum,
Cor Iesu, lancea perforatum,
Cor Iesu, fons totius consolationis,
Cor Iesu, vita et resurrectio nostra,
Cor Iesu, pax et reconciliatio nostra,
Cor Iesu, victima peccatorum,
Cor Iesu, salus in te sperantium,
Cor Iesu, spes in te morientium,
Cor Iesu, deliciæ Sanctorum omnium, Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi, parce nobis, Dómini.
Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi, exáudi nos, Dómini.
Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi, miserére nobis.

V. Iesu, mitis et humilis Corde,
R. Fac cor nostrum secundum Cor tuum.

Orémus. Omnipotens sempiterne Deus, respice in Cor dilectissimi Filii tui, et in laudes et satisfactiones, quas in nomine peccatorum tibi persolvit, iisque misericordiam tuam petentibus, tu veniam concede placatus, in nomine eiusdem Filii tui Iesu Christi, qui tecum vivit et regnat in sæcula sæculorum.
Amen.

CONSAGRAÇÃO DE SI MESMO A JESUS CRISTO, SABEDORIA ENCARNADA, PELAS MÃOS DE MARIA

Ó Sabedoria Eterna e Encarnada! Ó amabilíssimo e adorável Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, unigênito Filho do Eterno Pai e da sempre Virgem Maria, adoro-vos profundamente no seio e nos esplendores do vosso Pai, durante a eternidade, e no seio virginal de Maria, vossa Mãe digníssima, no tempo de vossa Encarnação.
Eu vos dou graças por vos terdes aniquilado a vós mesmo, tomando a forma de escravo, para livrar-me do cruel cativeiro do demônio. Eu vos louvo e glorifico por vos terdes querido submeter a Maria, vossa Mãe Santíssima, em todas as coisas, a fim de por Ela tornar-me vosso fiel escravo.
Mas, ai de mim, criatura ingrata e infiel! Não cumpri as promessas que vos fiz solenemente no Batismo. Não cumpri com minhas obrigações; não mereço ser chamado vosso filho nem vosso escravo, e, como nada há em mim que de vós não tenha merecido repulsa e cólera, não ouso aproximar-me por mim mesmo de vossa santíssima e augustíssima Majestade.
É por esta razão que recorro à intercessão de vossa Mãe Santíssima, que me deste por Medianeira junto a Vós, e é por este meio que espero obter de Vós a contrição e o perdão de meus pecados, a aquisição e conservação da Sabedoria.
Ave, pois, ó Maria Imaculada, Tabernáculo vivo da Divindade, onde a Eterna Sabedoria escondida quer ser adorada pelos anjos e pelos homens!
Ave, ó Rainha do céu e da terra, a cujo império está sujeito tudo o que está abaixo de Deus!
Ave, ó refúgio seguro dos pecadores, cuja misericórdia jamais a ninguém falece! Atendei ao desejo que tenho da Divina Sabedoria, e recebei, para este fim, os votos e as oferendas, apresentadas pela minha baixeza.
Eu, N..., infiel pecador, renovo e ratifico hoje, em vossas mãos, os votos do Batismo.
Renuncio para sempre a Satanás, suas pompas e suas obras, e dou-me inteiramente a Jesus Cristo, Sabedoria Encarnada, para segui-lo levando minha cruz, em todos os dias de minha vida. E, a fim de lhe ser mais fiel do que até agora tenho sido, escolho-vos neste dia, ó Maria Santíssima, em presença de toda a corte celeste, para minha Mãe e minha Senhora.
Entrego-vos e consagro-vos, na qualidade de escravo, meu corpo e minha alma, meus bens interiores e exteriores, e até o valor de minhas boas obras passadas, presentes e futuras, deixando-Vos direito pleno e inteiro de dispor de mim e de tudo o que me pertence, sem exceção, a vosso gosto, para a maior glória de Deus, no tempo e na eternidade.
Recebei, ó benigníssima Virgem, esta pequena oferenda de minha escravidão, em união e honra à submissão que a Sabedoria Eterna quis ter à vossa Maternidade; em homenagem ao poder que tendes ambos sobre este vermezinho e miserável pecador; em ação de graças pelos privilégios com que Vos favoreceu a Santíssima Trindade.
Protesto que quero, de agora em diante, como vosso verdadeiro escravo, procurar vossa honra e obedecer-Vos em todas as coisas.
Ó Mãe admirável, apresentai-me a vosso amado Filho, na qualidade de escravo perpétuo, para que, tendo-me remido por Vós, por Vós também me receba favoravelmente.
Ó Mãe de misericórdia, concedei-me a graça de obter a verdadeira Sabedoria de Deus, e de colocar-me, para este fim, no número daqueles a quem amais, ensinais, guiais, sustentais e protegeis como a filhos e escravos vossos.
Ó Virgem fiel, tornai-me em todos os pontos um tão perfeito discípulo, imitador e escravo da Sabedora Encarnada, Jesus Cristo, vosso Filho, que eu chegue um dia, por vossa intercessão e a vosso exemplo à plenitude de sua idade na terra e de sua glória nos céus. Assim seja.

Método para rezar com fruto o S. Rosário segundo São Luis

Uno-me a todos os santos que estão no céu, a todos os justos que estão sobre a terra, a todas as almas fiéis que estão neste lugar. Uno-me a Vós, meu Jesus, para louvar dignamente Vossa santa Mãe, e louvar-Vos a Vós, Nela e por Ela. Renuncio a todas as distrações que me vierem durante este Rosário, que quero recitar com modéstia, atenção e devoção, como se fosse o último de minha vida.
Nós Vos oferecemos, Trindade Santíssima, este Credo, para honrar os mistérios todos de nossa Fé, este Pater e estas três Ave-Marias, para honrar a unidade de Vossa essência e a trindade de Vossas pessoas. Pedimo-Vos uma Fé viva, uma esperança firme e uma caridade ardente.

Mistérios Gozosos


I
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta primeira dezena, em honra de vossa Encarnação no seio de Maria; e vos pedimos, por este mistério e por sua intercessão, uma profunda humildade. Assim seja.
Pai-Nosso, dez Ave-Marias, Glória,
Graças ao mistério da Encarnação, descei em nossas almas, assim seja

II
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta segunda dezena, em honra da visitação de vossa santa Mãe à sua prima Santa Isabel e da santificação de São João Batista; e vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, a caridade para com nosso próximo. Assim seja.
Pai-Nosso, dez Ave-Marias, Glória,
Graças ao mistério da visitação, descei em nossas almas, assim seja

III
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta terceira dezena, em honra de vosso nascimento no estábulo de Belém; e vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, o desapego dos bens terrenos, o desprezo das riquezas e o amor da pobreza. Assim seja.
Pai-Nosso, dez Ave-Marias, Glória, Graças ao mistério do nascimento de Jesus, descei em nossas almas, assim seja.

IV
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta quarta dezena, em honra de vossa apresentação no templo, e da purificação de Maria; e vos pedimos, por este mistério e por sua intercessão, uma grande pureza de alma e corpo. Assim seja.
Pai-Nosso, dez Ave-Marias, Glória, Graças ao mistério da purificação, descei em nossas almas. Assim seja.

V
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta quinta dezena, em honra de vosso reencontro por Maria; e vos pedimos, por este mistério e por Sua intercessão, a verdadeira sabedoria. Assim seja.
Pai-Nosso, dez Ave-Marias, Glória,
Graças ao mistério do reencontro de Jesus, descei em nossas almas, assim seja.

Mistérios dolorosos


VI
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta sexta dezena, em honra de vossa agonia mortal no Jardim das Oliveiras; e vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, a contrição de nossos pecados. Assim seja.
Pai-Nosso, dez Ave-Marias, Glória,
Graças ao mistério da agonia de Jesus, descei em nossas almas, assim seja

VII
Nós vos oferecemos, senhor Jesus, esta sétima dezena, em honra de vossa sangrenta flagelação; e vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, a mortificação de nossos sentidos. Assim seja.
Pai-Nosso, dez Ave-Marias, Glória,
Graças ao mistério da flagelação de Jesus, descei em nossas almas. Assim seja.

VIII
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta oitava dezena, em honra de vossa coroação de espinhos; e vos oferecemos por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, o desprezo do mundo. Assim seja.
Pai-Nosso, dez Ave-Marias, Glória,
Graças ao mistério da coroação de espinhos, descei em nossas almas. Assim seja.

IX
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta nona dezena, em honra do carregamento da cruz; e vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, a paciência em todas as nossas cruzes. Assim seja.
Pai-Nosso, dez Ave-Marias, Glória,
Graças ao mistério do carregamento da cruz, descei em nossas almas. Assim seja

X
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta décima dezena, em honra de vossa crucifixão e morte ignominiosa sobre o Calvário; e vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, a conversão dos pecadores, a perseverança dos justos e o alívio das almas do purgatório. Assim seja.
Pai-Nosso, dez Ave-Marias, Glória, Graças ao mistério da crucifixão, descei em nossas almas. Assim seja.

Mistérios Gloriosos


XI
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta undécima dezena, em honra de vossa ressurreição gloriosa; e vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, o amor de Deus e o fervor no vosso serviço. Assim seja.
Pai-Nosso, dez Ave-Marias, Glória,
Graças ao mistério da ressurreição, descei em nossas almas. Assim seja.

XII
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta duodécima dezena, em honra de vossa triunfante ascensão; e vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, um ardente desejo do céu, nossa cara pátria. Assim seja.
Pai-Nosso, dez Ave-Marias, Glória,
Graças ao mistério da ascensão, descei em nossas almas, assim seja.

XIII
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta décima terceira dezena, em honra do mistério de Pentecostes; e vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, a descida do Espírito Santo em nossas almas. Assim seja.
Pai-Nosso, dez Ave-Marias, Glória,
Graças ao mistério de Pentecostes, descei em nossas almas. Assim seja.

XIV
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta décima quarta dezena, em honra da ressurreição e triunfal assunção de vossa Mãe ao céu; e vos pedimos, por este mistério e por Sua intercessão, uma tenra devoção a tão boa Mãe. Assim seja.
Pai-Nosso, dez Ave-Marias, Glória,
Graças ao mistério da assunção, descei em nossas almas. Assim seja.

XV
Nós vos oferecemos, Senhor Jesus, esta décima quinta dezena, em honra da coroação gloriosa de vossa Mãe Santíssima no céu; e vos pedimos, por este mistério e por Sua intercessão, a perseverança na graça e a coroa da glória. Assim seja.
Pai-Nosso, dez Ave-Marias, Glória, Graças ao mistério da coroação gloriosa de Maria, descei em nossas almas. Assim seja.

Pequena coroa da SS. Virgem

V: concedei-me que vos louve, Virgem sagrada.
R: Daí-me valor contra os vossos inimigos.
Creio em Deus.

I
Pai-nosso
Ave, Maria.
Sois bem-aventurada, Virgem Maria, que levastes em vosso seio o Senhor, Criador do mundo; destes à luz a quem vos formou, e sois Virgem perpétua.
V:Alegrai-vos, Virgem Maria.
R:. Alegrai-vos mil vezes.
Ave, Maria.
O santa e imaculada virgindade, não sei com que louvores vos possa exaltar; pois quem os céus não podem conter, vós o levastes em vosso seio.
V:. Alegrai-vos, Virgem Maria.
R: Alegrai-vos mil vezes.
Ave, Maria.
Sois toda formosa, Virgem Maria, e não há mancha em vós.
V: Alegrai-vos, Virgem Maria.
R: Alegrai-vos mil vezes.
Ave, Maria.
Possuís, ó Virgem Santíssima, tantos privilégios, quantas são as estrelas no céu.
V: Alegrai-vos, Virgem Maria.
R: Alegrai-vos mil vezes.
Glória ao Pai.

II
Pai-Nosso. Ave, Maria.
Glória a vós, imperatriz do céu; conduzi-nos convosco aos gozos do paraíso.
V: Alegrai-vos, Virgem Maria.
R. Alegrai-vos mil vezes.
Ave, Maria.
Glória a vós, tesoureira das graças do Senhor; dai-nos parte em vosso tesouro.
V:. Alegrai-vos, Virgem Maria.
R:. Alegrai-vos mil vezes.
Ave, Maria.
Glória a vós, medianeira entre Deus e os , homens, tornai-nos propício o Todo-poderoso.
V: Alegrai-vos, Virgem Maria.
R: Alegrai-vos mil vezes.
Ave, Maria.
Glória a vós, que esmagais as heresias e o demônio: sede nossa bondosa guia.
V: Alegrai-vos, Virgem Maria.
R: Alegrai-vos mil vezes.
Glória ao Pai.

III
Pai-Nosso.
Ave, Maria.
Glória a vós, refúgio dos pecadores; intercedei por nós junto ao Senhor.
V: Alegrai-vos, Virgem Maria.
R: Alegrai-vos mil vezes.
Ave, Maria.
Glória a vós, Mãe dos órfãos; fazei que nos seja propício o Pai todo-poderoso.
V:Alegrai-vos, Virgem Maria.
R: Alegrai-vos mil vezes.
Ave, Maria.
Glória a vós, alegria dos justos; conduzi-nos convosco às alegrias do céu.
V: Alegrai-vos, Virgem Maria.
R: Alegrai-vos mil vezes.
Ave, Maria.
Glória a vós, nossa. auxiliadora mui prestimosa na vida e na morte; conduzi-nos convosco ao reino do céu.
V: Alegrai-vos, Virgem Maria.
R: Alegrai-vos mil vezes.
Glória ao' Pai.

Oremos. Ave, Maria, Filha de Deus Pai. Ave, Maria, Mãe de Deus Filho. Ave, Maria, Esposa do Espírito Santo. Ave, Maria, templo da Santíssima Trindade. Ave, Maria, Senhora minha, meu bem, meu amor, Rainha do meu coração, Mãe, vida, doçura e esperança minha mui querida, meu coração e minha alma. Sou todo vosso, e tudo que possuo é vosso, ó Vir-gem sobre todos bendita. Esteja, pois, em mim vossa alma, para engrandecer o Senhor, esteja em mim vosso espírito, para rejubilar em Deus. Colocai-Vos, ó Virgem fiel, como selo sobre meu coração, para que, em vós e por vós, seja eu achado fiel a Deus. Concede i, ó Mãe de misericórdia, que me encontre no número dos que amais, ensinais, guiais, sustentais e protegeis como filhos. Fazei que, por vosso amor, despreze todas as consolações da terra e aspire só às celestes; até que, para a glória do Pai, Jesus Cristo, vosso Fi- lho, seja formado em mim, pelo Espírito Santo, vosso Esposo fidelíssimo, e por vós, sua Esposa mui fiel.
Assim seja.

Em Latim

V: Dignáre me laudáre te, Virgo sacráta.
R: Daa mihi virtutem contra hostes tuos.
Creio em Deus.

I
Pater noster,
Ave, Maria.
Beata es, Virgo Maria quae Dominum portasti, Creartorem mundi: genuisti qui te fecit, et in aeternum permanes virgo.
V: Gaude, Maria Virgo.
R: Gaude millies.
Ave, Maria.
Sancta et immaculata virginitas, quibus te laudibus efferam nescio capere non poterant, tuo gremio contulisti.
V: Gaude, Maria Virgo.
R: Gaude millies.
Ave, Maria.
Tota pulcra es, Maria, et macula originalis non est in te,
V: Gaude, Maria Virgo.
R: Gaude millies.
Ave, Maria.
Tot tibi sunt dotes, Virgo, quot sidera caelo.
V: Gaude, Maria Virgo.
R: Gaude millies.
Gloria Patri.

II
Pater Noster.
Ave, Maria.
Gloria tibi sit, Imperatrix poli: tecum nos perducas ad gaudia caeli.
V: Gaude, Maria Virgo.
R: Gaude millies.
Ave, Maria.
Gloria tibi sit, thesauraria gratiarum Domini: fac nos participes thesauri tui.
V: Gaude, Maria Virgo.
R: Gaude millies.
Ave, Maria.
Gloria tibi sit, Mediatriz inter deun et hominem: fac nobis propitum Omnipotentem.
V: Gaude, Maria Virgo.
R: Gaude millies.
Ave, Maria.
Gloria tibi sit, haeresum et daemonum interemptria: sis pia nostra gubernatrix.
V: Gaude, Maria Virgo.
R: Gaude millies.
Gloria Patri.

III
Pater nodter.
Ave, Maria.
Gloria tibi sit refugium peccatorumm: intercede pro nobis ad Dominum.
V: Gaude, Maria Virgo.
R: Gaude millies.
Ave, Maria.
Gloria tibi sit, orphanorum Mater: fac nobis propitius sit omnipotens Pater.
V: Gaude, Maria Virgo.
R: Gaude millies.
Ave, Maria.
Gloria tibi sit, laetitia iustorum: tecum nos perducas ad gaudia caelorum.
V: Gaude, Maria Virgo.
R: Gaude millies.
Ave, Maria.
Gloria tibi sit, in vita et morte adiutrix praesentissima: tecum nos perducas ad caelorum regna.
V: Gaude, Maria Virgo.
R: Gaude millies.
Gloria Patri.

Oremus. Ave, Maria, filia Dei Patris. Ave, Maria, Mater Dei Filii. Ave, Maria, Sponsa Spiritus Sancti. Ave, Maria, teplum totius Trinitatis. Ave, Maria, domina mea, bona mea, rosa mea, regina cordis mei, mater, vita, dulcedo et spers nostra carissima, imo cor meum et anima mea. Tuus ego sum, et omnia benedicta. Sit ergo in me anima tua, ut magnificet Dominun; sit im me spiritus tuus, ut exsultet in Deo. Pone te, Virgo fidelis, ut sinaculum super cor meum, ut in te et per te Deo fidelis inveniar. Largire, o benbenigma, ut illis annumerer quos tamquam filios amas, doces, dirigis, foves, protegis. Fac ut, amore tui, terrenas omnes sperrnens consolationes, caelestibus semper inhaeream; donec in me, per Spiritum Sanctum Sponsum tuum fidelissimum, et te fidelessimam eius sponsam, formetum Iesus Chritus Filius tuus, ad gloriam Patris. Amen.

Sub Tuum

Sub tuum prresidium confugimus, sancta Dei Genitrix: nostras deprecationes ne despicias in necessitatibus; sed a periculis cunctis libera nos semper, Virgo gloriosa. et benedicta.

Tradução


À vossa proteção recorremos, santa Mãe de Deus; não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades; mas livrai-nos sempre de todos os perigos, Ó Virgem gloriosa e bendita.

Oração a Jesus vivendo em Maria

o Iesu vivens in Maria, veni et vive in famulis tuis, in spiritu sanctitatis ture, in plenitudine virtutis ture, in perfectione viarum tuarum, in veritate virtutum tuarum,
in communione misteriorum tuorum, Dominare omni adversae potestati, in spriritu tuo ad gloriam Patris. Amem.

Tradução

Ó Jesus que viveis em Maria, vinde e vivei em vossos servos, no espírito de santidade, na plenitude de vossas forças, na perfeição d vossas vias, na verdade de vossas virtudes, na comunhão de vossos mistérios, dominai sobre toda a potestade inimiga, em vosso espírito para gloria do Pai. Amem.

Oração a Jesus

Meu amável Jesus, permiti que eu me dirija a vós, para vos testemunhar o reconhecimento pela graça que me tendes feito, dando-me a vossa Santa Mãe pela devoção da escravidão, para ser minha advogada junta à vossa majestade e o complemento universal da minha grande miséria. Infeliz de mim, Senhor, que sou tão miserável que, sem esta boa Mãe, es-taria infalivelmente perdido. Sim, em tudo Maria me é necessária junta de vós; necessária, para vos aplacar em vossa justa cólera, pois vos tenho ofendido tanto, todos os dias; neces-sária, para sustar as castigas eternos de vossa justiça, que mereça; necessária, para vos olhar, para vos falar, vos pedir, vos tornar propícia e vos agradar; necessária, para salvar a minha alma e a das outras; necessária, em uma palavra, para fazer sempre a vossa santa vontade e buscar em tudo' a vossa maior glória. Ah! se eu pudesse publicar pela universo esta misericórdia que tivestes comigo; se toda a mundo soubesse que, sem Maria, eu já estaria condenado; se eu pudesse dar dignas ações de graças par tão grande benefício. Maria está em mim, haec facta est mihi. Oh! que tesouro! que consolação! E, depois disto, não' me entregaria eu todo a ela? Oh! que ingratidão', meu caro Salvador! Antes morrer da que esta desgraça!
Prefiro morrer a viver sem ser toda de Maria. Mil e mil vezes a tomei por toda o meu bem, coma São João Evangelista ao pé da cruz, e outras tantas vezes me entreguei a ela. Mas, meu bom Jesus, se ainda não a fiz conforme as vossas desejos, faço-a agora como quereis que a faça. Se vedes alguma coisa em minha alma e meu corpo que não pertença a esta au-
gusta Princesa, peço-vos arrancar-mo e lançá-lo fora, porque tudo que não pertence a Maria é indigna de vós.
O' Espírito Santo, concedei-me todas estas graças; e plantai, orvalhai e cultivai em minha alma e amável Maria, que é a árvore de vida verdadeira, a fim de que cresça, floresça e dê fruto de vida em abundância. Ó Espírito Santo, dai-me uma grande devoção e uma grande predileção por vossa Esposa divina. um grande apoio em seu seio de mãe e um recurso contínua em sua misericórdia, para que nela formeis em mim Jesus Cristo ao vivo, grande e poderoso, até à plenitude de sua idade perfeita. Assim seja.

Oração a Maria, para seus fiéis servos

Ave, Maria, Filha bem-amada do Pai eterno; ave, Maria, Mãe admirável da Filha; ave, Maria, Esposa fidelíssima do Espírito Santo; ave, Maria, minha querida Mãe, minha amável Senhora e poderosa soberana; ave, minha alegria, minha glória, meu coração e minha alma! Vos me pertenceis toda por misericórdia, e eu vos pertença toda por justiça; mas não vos pertenço bastante ainda; de novo me dou a vós todo inteiro, na qualidade de escravo perpé-tuo, sem nada reservar para mim ou para outrem. Se vedes em mim qualquer coisa que não vos pertença, eu vos suplico de tirá-la agora, e de vos tornar Senhora absoluta de tudo o que possuo; de destruir e desarraigar e aniquilar tudo o que desagrada a Deus; e de plantar tudo e promover e operar tudo o que vos agradar. Que a luz de vossa fé dissipe as trevas de meu espírito; que vossa humildade profunda tome o lugar de meu orgulho; que vossa con-templação sublime suste as distrações de minha imaginação vagabunda; que a vossa vista contínua de Deus encha a minha memória de sua presença; que o incêndio de vosso coração dilate e abrase a tibieza e frieza do meu; que vossas virtudes substituam os meus pecados; que vossos méritos sejam o meu ornamento e suplemento perante Deus. Enfim, mui ·querida e bem-amada Mãe, fazei, se possível for, que não tenha outro espírito senão o vosso, para conhecer Jesus Cristo e suas divinas vontades; que não tenha outra alma senão a vossa, para louvar e glorificar o Senhor; que não tenha outro coração senão o vosso, para amar a Deus com um amor puro e ardente como vós. Não vos peço visões ou revelações ou gozos ou prazeres, nem mesmo espirituais. E' privilégio vosso ver claramente, sem trevas; gozar plenamente, sem amargor; triunfar gloriosamente à direita de vosso Filho, no céu, sem humilhação alguma; dominar absolutamente sobre os anjos, os homens e os demônios, sem resistência, e, enfim, de dispor de todos os bens de Deus, sem restrição alguma. Eis, divina Maria, a ótima parte que o Senhor vos deu e que não vos será tirada; e isto me deleita sobremaneira. Por minha parte, não quero nesta terra senão o que vós tivestes, a saber: crer puramente, sem nada gozar ou ver; sofrer alegremente, sem consolação de criaturas; morrer continuamente a mim mesmo, sem relaxamento; e trabalhar resolutamente, até à morte, por vós, sem interesse algum, como o mais vil dos escravos. A única graça que vos peço, por pura misericórdia, é que, a todos os dias e momentos de minha vida, eu diga três vezes Amem: Assim seja, a tudo que fizestes na terra, enquanto nela vivestes. Assim seja, a tudo que fazeis agora no céu. Assim seja, a tudo que operais em minha alma, a fim de que nela só vós estejais para glorificar plenamente a Jesus em mim, no tempo e na eternidade. Assim seja.

MAGNIFICAT

Magníficat * anima mea Domínum. Et exsultavit spiritus meus * in Deo salutari meo.Quia respexit humilitatem ancillre sua! * ecce enim ex hoc beatam me dicent omnes generationes Et misericordia eius a progenie iu progenies, • timentibus eum. Fecit potentiam in brachio suo; • dispersit superbos mente cordis suis. Deposuit potentes de sede • et exaltavit humiles. Esurientes implevit bonis, et divites dimisit inanes. Suscepit Israel pue-rum suum: • recordatus misericordire sure. Sicut locutus est ad p a t r e s nostros, • Abraham et semir.i eius in srecula. Glória Patri et Filio • et Spiritui Sancto. Sicut erat in principio et nunc et semper, et in seaculorum. Amen.

Tradução


Minha alma engrandece ao Senhor.
E meu espírito se transporta em santa alegria em Deus meu Salvador. Porque pôs os olhos em sua humilde escrava; por isso todas as gerações me chamarão bem-aventurada. Cuja misericórdia se estende de geração em geração em todos os que o temem. Assim ostenta o poder de seu braço, transtorna os desígnios dos soberbos. Derruba os poderosos do seu assento, e exalta os humildes. Enche de bens os necessitados e os ricos deixa vazios. Decretou exaltar Israel seu povo, lembrando-se de sua misericórdia. Para cumprir a pro-messa que fez aos nossos pais, Abraão e a todos os seus descendentes. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amem

Prece de S. Luís Maria Grignion de Montfort pedindo a Deus missionários para a sua Companhia de Maria

Lembrai-vos, Senhor, lembrai-vos da vossa Congregação que desde o princípio vos perten-ceu, e em que pensastes desde toda a eternidade; que seguráveis na vossa mão onipotente, quando, com uma palavra, tiráveis do nada o universo; e que escondíeis ainda em vosso co-ração, quando vosso Filho, morrendo na cruz, a consagrou por sua morte, e a entregou, qual precioso depósito, à solicitude de sua Mãe Santíssima: Memor esto Congregationis tuae quam possediste ab lnitio.
Atendei aos desígnios de vossa misericórdia, suscitai homens da vossa destra, tais quais mostrastes a alguns de vossos maiores servos, a quem destes luzes proféticas, a um São Francisco de Paula, a um São Vicente Ferrer, a Uma Santa Catarina de Sena, e a tantas ou-tras grandes almas, no século passado e até neste, em que vivemos.
Memento: Onipotente Deus, lembrai-vos desta Companhia ostentando sobre ela a onipo-tência de vosso braço, que não diminuiu, para dar-lhe a luz e produzi-Ia, e para conduzi-la à perfeição. lnnova signa, immuta mirabilia. sentiamus adiutorium brachii tui.
O' grande Deus que podeis fazer das pedras brutas outros tantos filhos de Abraão, dizei uma só palavra como Deus, e virão logo bons obreiros para a vossa seara, bons missionários para a vossa Igreja.
Memento: Deus de bondade, lembrai-vos de vossas antigas misericórdias, e, por essas mes-mas misericórdias, lembrai-vos da vossa Congregação; lembrai-vos das promessas reiteradas que nos tendes feito, por vossos profetas e pelo vosso próprio Filho, de sempre atendei favoravelmente a todos os nossos pedidos justos. Lembrai-vos das preces que, desde tantos séculos, vossos servos para este fim vos têm dirigido; venham à vossa presença seus votos, seus soluços, suas lágrimas e seu sangue derramado, e poderosamente solicitem vossa misericórdia. Mas lembrai-vos sobretudo de vosso amado Filho: Respice in faclem Christi tui. Contemplem vossos olhos sua agonia, sua confusão, o seu amoroso queixume no Jardim das Oliveiras, quando disse: Quae utilitas in sanguine meo? Sua cruel morte e seu sangue derramado altamente vos clamam misericórdia, a fim de que, por meio desta Congregação, seja seu império estabelecido sobre os escombros do de seus inimigos.
Memento: Lembrai-vos, Senhor, desta Comunidade nos efeitos de vossa justiça. Tempus faciendi, Domine, dissipaverunt legem tuam: é tempo de cumprir o que prometestes. Vossa divina fé é transgredida; vosso Evangelho desprezado; abandonada, vossa religião; torrentes de iniqüidade inundam toda a terra, e arrastam até os vossos servos; a terra toda esta desola-da: Doesolatione desolata est omnis terra; a impiedade está sobre um trono; vosso santuário é profanado, e a abominação entrou ate no lugar santo. E assim deixareis tudo ao abandono, justo Senhor, Deus das vinganças? Tornar-se-á tudo afinal como Sodoma e Gomorra. Calar-vos-eis sempre? Não cumpre que seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu, e que a nós venha o vosso reino? Não mostrastes antecipadamente a alguns de vossos amigos uma futura renovação de vossa Igreja? Não se devem os judeus converteram a verdade? Não é esta a expectativa da; Igreja. Não vos clama.que todos os santos do céu: justiça! Vindica?" Não vos dizem todos os justos da terra: Amen, veni, Domine! Não gemem todas as criaturas, até as mais insensíveis, Sob o peso dos inumeráveis pecados de Babilônia, pedindo a vossa vinda para restabelecer todas as coisas? 0mnis creatura ingemiscit.
Senhor Jesus memento Congregationis tuae.
Lembrai-vos de dar à vossa Mãe uma nova Companhia, a fim de por ela renovar toas as coisas e a fim de terminar por Maria Santíssima os anos de graça, assim como por ela os começastes.
Da Matri tuae libero, alioquin moriar: dai filhos e servos à vossa. Mãe: quando não, fazei que eu morra. Da Matri tuae E' por vossa Mãe que vos imploro. Lembrai-vos de suas entra-nhas e de seu seio, e não rejeiteis minhas súplicas; lembrai-vos de quem sois Filho, e aten-dei-me; lembrai-vos do que ela é para vós e do que sais para ela, e satisfazei a meus votos. Que vos peço eu? nada em meu favor, tudo para vossa glória. Que vos peço eu? o que podeis, e até ouso dizer, o que deveis conceder-me, como verdadeiro Deus que sois, a quem todo o poder foi dado no céu e na ter~a: e como o melhor dos filhos, que amais mfInItamente vossa Mãe.
Que vos peço eu? Liberos: Sacerdotes livres de vossa liberdade, desprendidos de tudo sem pai, sem mãe .. sem irmãos, sem irmãs, sem parentes segundo a carne, sem amigos segundo o mundo, sem bens, sem embaraços, sem. cuidados, e até sem vontade própria.
Llberos: Escravos de vosso amor e de vossa vontade; homens segundo vosso coração, que, sem vontade própria que os macule e faça parar, executem todas as vossas vontades e der-rubaram todos os vossos inimigos, quais novos Davids, com o cajado da cruz e a funda do santíssimo Rosário, nas mãos: In baculo Cruce et ln virga Virgine.
Liberos: Almas elevadas da terra e cheias do celeste orvalho, que, sem obstáculos, voem de todos os lados, movidos pelo sopro do Espírito Santo. Em parte, foi delas que tiveram conhecimento vossos profetas, quando perguntaram:
Qui sunt isti qui ut nubes volant? _ Ubi erat impetus spiritus, illuc gradiebantur
Liberos: Almas sempre à vossa mão, sempre prontas a obedecer-vos, à voz de seus superio-res, como Samuel: Praesto sum; sempre prontos á correr e a sofrer tudo por vós e convosco, como os apóstolos: Eamus et nos, ut moriamur cum eo.
Liberos: Verdadeiros filhos de Maria, vossa Mãe Santissima, engendrados e concebidos por sua caridade, trazidos em seu seio, presos a seu peito, nutridos de seu leite, educados por sua solicitude, sustentados por seus braços e enriquecidos de suas graças.
Liberos: Verdadeiros servos da Santíssima Virgem, que, como outros tantos São Domingos, vão por toda parte, com o facho lúcido e ardente do santo Evangelho na boca, e na mão o santo rosário, a ladrar, como cães fiéis, contra os lobos que só buscam estraçalhar o rebanho de Jesus Cristo; que vão, ardendo como fogos, e iluminando como sóis as trevas deste mundo; e que, por meio de uma verdadeira devoção a Maria Santíssima, isto é, uma devoção interior, sem hipocrisia; exterior, sem critica; prudente, sem ignorância; terna, sem indiferença; constante, sem versatilidade, e santa, sem presunção, esmaguem, por todos os lugares em que estiverem, a cabeça da antiga serpente, a fim de que a maldição que sobre ela lançastes seja inteiramente cumprida. Inimicititias ponam inter te et mulierem. et semen tuum et semen illius; ipsa conteret caput tuun.
E' verdade, grande Deus, que o mundo há de armar, como predissestes, grandes ciladas ao calcanhar dessa mulher misteriosa, isto é, a pequena Companhia de seus filhos que hão de surgir perto do fim do mundo; é verdade que há de haver grandes inimizades entre essa ben- dita posteridade de Maria Santíssima e a raça maldita de satanás: mas é essa uma inimizade toda divina, a única de que sejais autor: Inimicitias ponam. Porém esses combates e essas perseguições dos filhos da raça de Belial contra a raça de vossa Mãe Santíssima só servirão para melhor fazer resplandecer o poder de vossa graça, a coragem da virtude dos vossos ser-vos, e a autoridade de vossa Mãe, pois que lhes destes, desde o começo do mundo, a missão de esmagar esse soberbo, pela humildade de seu coração: Ipsa conteret caput tuun.
Alioquin moriar. Não é melhor para mim morrer do que vos ver, meu Deus, todos os dias tão cruel e impunemente ofendido, e a mim mesmo ver todos os dias em risco de ser ar-rastado pelas torrentes de iniqüidade que aumentam a cada instante, sem que nada se lhes oponha? Ah! mil mortes me seriam mais toleráveis. Enviai-me o soco no do céu, ou senão chamai a minha alma. Sim, se eu não tivesse a esperança de que, mais cedo ou mais tarde, haveis de ouvir este pobre pecador, nos interesses de vossa glória, como já ouvistes a tantos outros: Iste pauper clamavit et Dominus exaudivit eum, pedir-vos-ia do mesmo modo que o profeta: Tolle anilmam meam.
A confiança que tenho em vossa misericordia faz-me, porém, dizer com outro profeta:
Non moriar, sed vivam, et narrabo opera Domini; até que com o velho Simeão possa dizer: Nunc dimittis servum tuum. Domine in pace, quia viderunt oculi mei, etc.
Memento: Divino Espírito Santo, lembrai-vos de produzir e de formar filhos de Deus, com Maria, vossa divina e fiel Esposa formastes Jesus Cristo, cabeça dos predestinados com ela e nela, e com ela e nela deveis formar todos os seus membros; nenhuma pessoa divina en-gendrais na Divindade, mas só vós, unicamente vós, formais todas as pessoas divinas, fora da Divindade, e todos os santos que têm existido e hão de existir até ao fim do mundo, são outros tantos produtos de vosso amor unido a Maria Santíssima. O reino especial de Deus Pai durou até ao dilúvio, e foi terminado por um dilúvio de água; o reino de Jesus Cristo foi terminado por um dilúvio de sangue, mas vosso reino, Espírito do Pai e do Filho, está continuando presentemente, e há de ser terminado por um dilúvio de fogo, de amor e de justiça.
Quando virá esse dilúvio de fogo do puro amor, que deveis atear em toda a terra de um modo tão suave e tão veemente que todas as nações, os turcos, os idólatras, e os próprios judeus hão de arder nele e converter-se? Non est quise abscondat acalore eius.
Acocendatur. Seja ateado esse divino fogo quc Jesus Cristo veio trazer à terra, antes que ateeis o fogo de vossa cólera, que há de reduzir tudo a cinzas. Emitte Spiritmn tuum, et Creabuntur, et renovabis faciem terrae. Enviai à terra esse Espírito todo de fogo, para nela criar sacerdotes todos de fogo, por cujo mistério seja a face da terra renovada, e reformada por vossa Igreja. Memento Congriegationis tuae: E' uma congregação, uma assembléia, uma seleção, uma escolha de predestinados que deveis fazer no mundo e do mundo: Ego elegi vos de mundo. E' um rebanho de pacíficos cordeiros que deveis ajuntar entre tantos lobos: uma companhia de castas pombas e de águias reais entre tantos corvos; um enxame de laboriosas abelhas entre tantos zangãos; Uma manada de céleres veados entre tantos cágados; um batalhão de leões destemidos entre tantas lebres tímidas. Ah! Senhor: Congrega nos de nationibus; congregai-nos, uni-nos, para que de tudo se renda toda a glória ao vosso nome santo e poderoso.
Predissestes esta ilustre Companhia a vosso profeta, que dela fala em termos muito obscuros e misteriosos, mas divinos: "Pluviam voluntariam segregabis, Deus, hereditati tuae, et infirmata est, tu vero perfecisti eam. Animalia tua habitabunt in ea. Parasti in dulcedine tua pauperi, Deus. Dominus dabit verbum evangelizantibus virtute multa. Rex virtutum, dilecti dilecti, et speciei domus dividere spolia. Si dormiatis inter medias cleros, pennae columbae deargentatae, et posteriora dorsi eius in pallore auri. Dum discernit caelestis reges super eam, nive dealbuntur in Selmon. Mons Dei, mons pinguis; mons coagulatus, mons pinguis; u t quid suspicamini montes coagulatos? "mons in quo beneplacitum est Dco habitare in eo, etenim Dominus habitabit in finem" (SI 107,10-17).
Qual é, Senhor, essa chuva voluntária que separastes e escolhestes para vossa enfraqueci-
da herança senão esses santos missionários, filhos de Maria vossa Esposa, aos quais deveis congregar e separar do mundo, para bem de vossa Igreja, tão enfraquecida e maculada pelos crimes de seus filhos?
Quais esses animais e esses pobres que hão de habitar em vossa herança, e ser aí nutridos com a divina doçura que lhes haveis preparado, senão esses pobres missionários abandona-dos à Providência e transbordantes de vossas delícias divinas; esses misteriosos animais de Ezequiel, que hão de ter a humanidade. do homem, por sua desinteressada e benfazeja cari-dade para com o próximo; a coragem do leão por sua santa cólera e por seu ardente e pru-dente zelo contra os demônios e filhos de Babilônia; a força do boi por seus trabalhos apos-tólicos e pela mortificação contra a carne; e finalmente a agilidade da águia. por sua con-templação em Deus?
Tais são os missionários que quereis enviar à vossa Igreja. Terão olhos de homem para o próximo, olhos de leão contra vossos inimigos, olhos de boi contra si próprios, e olhos de águia para vós. Esses imitadores dos apóstolos pregarão, virtute multa, virtute magna, com grande força e virtude, e tão grande, tão esplêndida, que hão de comover todos os espiritos e todos os corações nos lugares em que Pregarem. A eles é que haveis de dar vossa palavra: Dabis verbum; e até mesmo vossa boca e vossa sabedoria: Dabo vobis os et sapientiam, "eui non potenrnt resistere omnes adversarii vestri, à qual nenhum dos vossos inimigos poderá resistir. Entre esses prediletos vossos, ó amabilíssimo Jesus, é que tomareis vossas complacências na qualidade de Rei das virtudes, pois que em todas as suas missões não hão de ter por objeto senão dar-vos toda a glória das vitórias que alcançarem sobre vossos inimigos: Rex virtutum dilecti dilecti, et speciei domus dividere spolia.
Por seu abandono à Providência e pela devoção a Maria Santissima terão as asas prateadas da pomba: inter medios cleros, pennae columbae deargentatae: isto é, a pureza da doutrina e dos costumes; e douradas as costas, et posteriora dorsi eius in pallore auri: ísto é. uma perfeita caridade para com o próximo, para suportar-lhe os defeitos, e um grande amor a Jesus Cristo, para levar a sua cruz.
Só vós, ó Jesus, como Rei dos céus e Rei dos reis, haveis de separar do mundo esses missio-nários, como outros tantos reis, para torná-los mais brancos que a neve sobre a montanha de Selmon, montanha de Deus, montanha abundante e fértil, montanha forte e coagulada, montanha em que Deus se compraz maravilhosamente, e na qual habita e há de habitar até ao fim.
Qual é Senhor Deus de verdade, essa montanha misteriosa de que nos dizeis tantas mara-vilhas, senão Maria, vossa diletissima Esposa, cuja base pusestes sobre o cimo das mais al-tas montanhas? Fundamenta eius in montlbus sanctis... Mons in vertice montium.
Felizes e mil vezes felizes os sacerdotes que tão bem elegestes e predestinastes para con-vosco habitar nessa abundante e divina montanha, para aí se tornarem reis da eternidade, pelo desprezo da terra e pela elevação em Deus; para aí se tornarem mais brancos que a neve pela união a Maria, vossa Esposa toda formosa, toda pura e toda imaculada; para aí se enriquecerem do orvalho do céu e da fecundidade da terra, de todas as bênçãos temporais e eternas de que está toda cheia Maria Santíssima.
E' do alto dessa montanha que hão de lançar, quais novos Moisés, por suas ardentes súplicas dardos contra seus inimigos, para prostrá-los ou para convertê-los; é sobre essa montanha que hão de aprender da própria boca de Jesus Cristo, que aí está sempre, a inteligência das suas oito bem-aventuranças; é sobre essa montanha de Deus que com ele hão de ser transfigurados, como no Tabor, que hão de morrer com ele, como no Calvário, e que hão de subir com ele ao céu, como na montanha das Oliveiras.
Memento Congregationis tuae. Só a vós compete formar por vossa graça essa assembléia; se o homem meter mãos à obra antes de vós, nada se fará; se quiser misturar o que é dele com o que é vosso, estragará tudo, destruirá tudo. Tuae Congregationis: é trabalho vosso, grande Deus: Opus tuum fac, fazei uma obra toda divina; ajuntai, chamai, convocai de todas as partes de vossos domínios vossos eleitos para deles fazer um exército contra vossos inimigos.
Vede, Senhor Deus dos exércitos, os capitães que formam companhias complexas, os poten-tados que ajuntam numerosos exércitos, os navegadores que reúnem frotas inteiras, os mer-cadores que se congregam em grande número nos mercados e nas feiras! Quantos bandidos, ímpios, ébrios e libertinos se unem em massa contra vós todos os dias, e isto com tanta fa-cilidade e prontidão! Basta soltar um assobio, rufar um tambor, mostrar a ponta embotada de uma espada, prometer um ramo seco de louros, oferecer um pedaço de terra amarela ou branca; basta, em poucas palavras, uma fumaça de honra, um interesse de nada, um mesqui-nho prazer animal que se tem em vista, para num instante reunir os bandidos, ajuntar os soldados, congregar os batalhões, convocar os mercadores, encher as casas e os mercados, e cobrir a terra e o mar que uma multidão inumerável de réprobos, que, embora divididos todos entre si, ou pelo afastamento dos lugares, ou pela diversidade dos gênios, ou por seus próprios interesses, se unem, entretanto, e se ligam até à morte, para fazer-vos guerra sob
estandarte e sob o comando do demônio.
E nós, grande Deus! embora haja tanta glória e tanto lucro, tanta doçura e vantagem em servir-vos, quase ninguém tomará vosso partido? Quase nenhum soldado se alistará em vossas fileiras? Quase nenhum São Miguel clamará, no meio de seus irmãos, cheio de zelo para vossa glória: Quis ut Deus?
Ah! permiti que brade por toda parte: Fogo! fogo! fogo! socorro! socorro! socorro! Fogo na casa de Deus! fogo nas almas! fogo até no santuário! Socorro, que assassinam nosso irmão! socorro, que degolam nossos filhos! socorro, que apunhalam nosso bom Pai! Si quis est Domini, iungatur mihi: venham todos os bons sacerdotes que estão espalhados pelo mundo cristão, os que estão atualmente na peleja, e os que se retiraram do combate para se em-brenharem pelos desertos e ermos, venham todos esses bons sacerdotes e se unam a nós. Vis unita fit fortior, para que formemos, sob o estandarte da cruz, um exército em boa ordem de batalha e bem disciplinado, para de concerto atacar os inimigos de Deus que já tocaram a rebate: "Sonuerunt, frenduerunt, fremuerunt, multiplicati sunt. Dirumpamus
vincula eorum et proiiciamus a nobis iugum ipsorum. Qui habitat in caelis irridebit eos. Exsurgat Deus, et dissipentur inimici eius. Exsurge, Domine, quare obdormis? Exsurge".
Erguei-vos, Senhor: por que pareceis dormir?
Erguei-vos em todo o vosso poder, em toda a vossa misericórdia e justiça, para formar-vos uma companhia seleta de guardas que velem a vossa casa, defendam vossa glória e salvem tantas almas que custam todo o vosso sangue, para que só haja um aprisco e um pastor, e que todos vos rendam glória em vosso santo templo: Et in templo eius ommes dicent gloriam.

TRATADO DA VERDADEIRA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM

“Preparação ao Reino de Jesus Cristo”

Novíssima Versão Portuguesa
Fiel à Edição Original Francesa
2002 - 2003 - 2004 - 2005 - 2006 - 2007

Primeira Edição Popular
do Serviço de Animação Eucarística Mariana,
cotejada com o original francês, bem como com edições
italiana, espanhola e diversas brasileiras.

Julho de 2002: 10.000 Exemplares

Nihil Obstat

Anápolis, 29 de junho de 2002
Pe. Mauro Duarte Chaves

Imprimatur

Dom Manoel Pestana Filho
Bispo diocesano de Anápolis (GO)
Anápolis, 29 de junho de 2002

Ficha Técnica

Título Original:
Traité de la Vraie Dévotion a la Sainte Vierge
Autor: São Luís Maria Grignion de Montfort
Capa: Virgem Adorante (Frá Filippo Lippi - 1406/1469) -
Firenze - Galeria Uffizi - Itália
Diagramação: Marcu Túlio Constantino de Oliveira
Desenhos: Ada Kostner - Itália
Editor: Prof. Edson José Reis
Revisão: Raphael Gomes Paes Leme Lôbo

Todos os direitos desta edição estão reservados.
Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida - texto e ilustrações -
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PREFÁCIO

Num de seus livros, talvez em “O Primeiro Amor do Mundo”, Fulton Sheen, bispo e escritor americano, fala-nos de uma tradição russa, que lembra o amor e a misericórdia de Deus, sempre perdoando os homens e querendo salvá-los, mas sem grande resultado. Mandou Patriarcas, reis e profetas, seu próprio Filho, depois os santos. E a humanidade segue cada vez mais infiel, ingrata, ímpia, mergulhada no vício e no egoísmo, com todo o cortejo de males. Mas, continua a lenda, quando tudo parecer perdido, Ele mandará sua Mãe. E, se não A ouvirem, então será o fim. Surdos à Mãe, não têm mais coração, nem alma.
Ela é anunciada no Gênesis, esmagando a cabeça da serpente; surge, triunfal, no Apocalipse, vestida de Sol, coroada de estrelas, a Lua sob os pés.
Ela vive nos Evangelhos, acolhendo o anúncio de Gabriel, santificando a família de Elisabeth e Zacarias, oferecendo Jesus ao Pai e buscando-o em Jerusalém, servindo-o trinta anos em Nazaré, arrancando-lhe do Coração o primeiro milagre em Caná, acompanhando o pelas estradas da Palestina, até o Calvário, onde nos recebe por filhos, aguardando-o ressuscitado e, depois da ascensão, rezando com os apóstolos e discípulos, na espera, com eles, da vinda do Espírito Santo. A São João, a privilegiada testemunha da obra da salvação, assiste como fizera a Jesus e fará sempre com a Igreja.
Nas horas mais dramáticas do mundo e da Igreja, Ela se faz presente em pessoa ou através de Seus servos. Éfeso, São Bernardo, São Domingos, Dom João de Áustria, Lepanto, La Salette, Lourdes, Fátima: são cuidados extremosos de Mãe com Seus filhos, ainda que ingratos, irresponsáveis.
Em plena cultura da morte e do pecado, após um século que de sangue e martírio só pode compararse aos três primeiros séculos do cristianismo, Maria revela-nos aquele que é “Totus Tuus”, todo seu: João Paulo II, uma das maiores presenças vivas de Deus em toda a História, anúncio de Evangelho, “No Limiar da Esperança”, a um mundo que submerge sem volta.
Parece ter chegado o momento em que Deus decide mandar sua Mãe para buscar convencer os filhos a “fazer tudo aquilo que Ele lhes disser”. Ela precisa de Apóstolos para preparar, com seu triunfo, a vitória final de Jesus. Ensinados por Maria, totalmente consagrados ao seu serviço, e, portanto, entregues por inteiro, em suas mãos, à missão de, com Jesus, arrancar da perdição os pecadores, faze-os crescer em sabedoria e graça, como só Ela, a serva do Senhor, sabe fazer, diante da imensidão do mal que os poderes das trevas instalam em todos os recantos da Terra.
São Luís Maria Grignion de Montfort, quando anuncia o Evangelho, parece escandalizar, pela rudeza da linguagem e pensamento, ao insistir na “escravidão” marial, a quem nem sequer aceita “a escrava do Senhor”.
No entanto, vivemos num mundo de escravidão. Escravidão do dinheiro, do poder, do prazer, das paixões, da moda, da “opinião pública”... Escravidão do álcool, do fumo, das drogas, da televisão, da internet, da pornografia, do sexo enlouquecido... O resultado está aí. Desespero e frustração, neurose, violência, degradação: o preço do pecado, como o chama São Paulo.
Os escravos de Deus são os únicos verdadeira e totalmente livres, da liberdade dos filhos de Deus. A tentação original, “sereis como deuses”, empurra os homens a todas as escravidões, a pretexto da liberdade. O grito “é proibido proibir” abriu a porta a todas as violências e depravações, da alma e do corpo. Todavia, para que se aceitem esses grilhões (que no fundo, no fundo, são asas), São Luís Maria nos propõe a escravidão a Maria, a Mãe de Deus. Nenhum coração humano, realmente digno, recusa entregar-se a Ela, para servir a Deus com a fé, a confiança, a pureza, o amor de Maria, escravo de amor ao Pai por Maria. Exatamente como Jesus veio a nós por Maria, voltamos a Ele pela sua maravilhosa estrada de vinda.
Assim começa São Luís Grignion o seu admirável livro, código sagrado dos últimos tempos, capaz de formar os apóstolos, os santos, os combatentes das últimas batalhas que o Apocalipse registra.
Teologia segura, no meio da anfibologia moderna (talvez o tenhamos, em breve, como Doutor da Igreja); caridade ardente, zelo vulcânico, combatividade incansável, coragem a toda prova: eis o que torna tão atual e imprescindível o nosso santo, num mundo onde se tem tudo para ganhar e onde se faz tudo para perder, pela omissão do poder e a indiferença com a verdade.
Não sem razão o demônio escondeu o Tratado mais de um século. É por todas as razões de redenção e graça, que não podemos deixar, um dia que seja, de falar desta mensagem de salvação ao alcance de todos, em especial dos pequeninos, de quem é o Reino dos Céus, porque “neles a graça do Senhor não padece crítica”.
Não há de se perder um instante. Nunca, como hoje, foi tão importante ser apóstolo como São Luís Grignion, apóstolo de Maria, para acolher incondicionalmente Jesus.
Anápolis, 16 de julho de 2.002.
Festa de Nossa Senhora do Carmo.
Dom Manoel Pestana Filho
Bispo Diocesano de Anápolis
“Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!” (Fátima)

UM SEGREDO DE SANTIDADE

“Este é um livro precioso: escrito por um santo, meditado pelos santos, e que possui a bela missão de formar os santos de Deus.” Este é, por força, o melhor juízo que foi expresso sobre o “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria”, a obra mais importante de São Luís Maria Grignion de Montfort ( 1673 - 1716).
Uma confirmação importante foi emitida recentemente pela Congregação para o Culto Divino, motivando a decisão de inscrever a celebração do Santo de Montfort no Calendário Romano Geral. Ela diz: “Recolhendo no ensinamento mariano de São Luís Maria Grignion de Montfort, como de saudável fonte, as indicações para a vida espiritual, são formadas, nos seminários e nos noviciados de todo o mundo, gerações de sacerdotes, de homens e mulheres consagrados a Deus, e ainda de numerosíssimos fiéis. Não poucos santos e bem-aventurados encontraram na espiritualidade monfortana a fonte na qual podem alimentar sua Devoção à Mãe de Cristo e da Igreja. Ainda hoje diversos movimentos e grupos, espalhados pelas diversas partes do mundo, fazem explícita referência à doutrina de São Luís Maria Grignion de Montfort.”
O escrito chegou até nós carecendo da primeira e da última páginas. Contudo, ainda é a maior palavra dita pelo Padre de Montfort; sintetiza a sua grande personalidade: contém em si o êxito do mister pedagógico do missionário, a obraprima do autor espiritual, o segredo da santidade desejada pelo santo.
Montfort prende a pena nas mãos para colocar por escrito aquilo que ensinou, com fruto, pública ou privadamente, na missão, por alguns poucos anos. O escrito não nasceu improvisamente. Montfort coloca por escrito aquilo que experimentou, ensinou e pregou por toda a sua vida. O Tratado é um livro de espiritualidade popular: “... falo sobretudo aos pobres e aos simples, pois são de boa vontade, possuem, usualmente, mais fé que os doutos, e crêem com mais simplicidade e merecimento. Assim, contento-me em atestar a verdade de modo pleno...”
Este seu caráter popular é, provavelmente, uma das causas do grande sucesso deste pequeno livro; a sua linguagem é imediata, acessível, não, todavia, banal. Tal se vê bem, por exemplo, lá onde Montfort explica a finalidade de sua fadiga de escritor: “Quanto será retribuída a minha fadiga, se este pequeno escrito, caindo entre as mãos de uma alma bem disposta, lhe descobrisse e inspirasse, por graça do Espírito Santo, a excelência e o valor da Verdadeira e Sólida Devoção a Maria, que estou a expor.” E ajunta: “Se soubesse que o meu sangue pecador servisse para fazer penetrar nos corações a verdade do que eu escrevo em honra da amada Mãe e Patrona, de quem sou o último dos filhos e escravos, a mim me serviria dele, de boa vontade, em vez da tinta, para traçar estes caracteres, confiante que sou de encontrar almas, as quais, com a sua fidelidade à prática que ensino, compensarão a minha caríssima Mãe e Patrona dos danos súbitos das minhas ingratidões e infidelidade.” E conclui: “Sinto-me mais que animado em crer e esperar tudo o que tenho profundamente impresso no coração, e que vou pedindo ao Deus de tantas almas, isto é: cedo ou tarde, a Virgem Santa haverá de ter mais que filhos, servos e escravos de amor, pelo que Jesus Cristo, meu Senhor, reinará ainda mais nos corações.”
São Luís Maria Grignion de Montfort foi um bom profeta. Desde o ano de 1842, ano do seu redescobrimento, o Tratado tem encontrado um número quase inacreditável de leitores. É, em absoluto, um dos livros marianos de maior sucesso; é o primeiro, depois de “Glórias de Maria”, de Santo Afonso Maria de Ligório.
O Padre Gabriele Roschini, um notável mariólogo, escreveu sobre o Tratado: “Se se fizesse um referendum internacional sobre a questão: Qual é o mais belo livro escrito sobre Nossa Senhora? Eu estou certo de que a maior parte das respostas daria a preferência a este pequeno livro. É um livro verdadeiramente clássico, uma verdadeira Suma de Teologia Mariana. É um livro superior a todo elogio, destinado a ser um manual de todo devoto da Santíssima Virgem.”
Como se não bastasse o testemunho já dado no passado, também, recentemente, João Paulo II expressou o seu apreço pela doutrina do Santo de Montfort. Ele o manifestou num breve escrito autobiográfico, recordando os seus 50 anos de sacerdócio. Fê-lo a seu próprio modo, como se fosse uma confidência, e para fazê-lo conhecido por todos. Eis o texto: “Eu já estava convencido de que Maria nos conduz a Cristo, mas naquele período comecei a compreender que também Cristo nos conduz a Maria. Foi um momento no qual estava em discussão o meu culto por Maria, que, restringido, ou dilatando- se excessivamente, acabasse por comprometer a supremacia do culto devido a Cristo. Vem-me agora em ajuda o livro de São Luís Maria Grignion de Montfort, que traz o título: ‘Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria’. Nele encontrei a resposta às minhas perplexidades... O autor é um teólogo de classe”.
Estes foram, também, os motivos para a presente versão em português. A versão usada nesta nova edição brasileira é substancialmente a da primeira edição monfortana do Tratado, feita pelo Pe. Callisto Bonicelli (1908), cotejada com a edição francesa típica, em tudo conforme à cópia manuscrita que serve de original. Ela foi novamente confrontada com o texto original, bem como com versões italiana, espanhola e diversas brasileiras, a fim de se obter uma melhor expressão em português, mais clara e ao mesmo tempo fiel ao pensamento do Santo. Nenhuma glosa, nenhuma citação ou nota explicativa foi acrescida ao texto, senão as próprias palavras de São Luís Maria Grignion de Montfort. Contudo, onde julgou- se necessário, fez-se uma melhor divisão das matérias. Outra preocupação foi a de ter um texto fluente, para o que julgou-se oportuno aliviá-lo do grande número de citações latinas, fazendo que tudo conste em bom vernáculo. Além disso o texto foi bastante enriquecido de referências bíblicas e referências internas, facilitando ao leitor a localização dos textos citados e proporcionando uma melhor sobrevisão do conteúdo. O texto se auto-explica, e o Espírito Santo abre o seu jardim fechado àqueles a quem Ele o quiser.
Não posso e não quero deixar passar em branco a oportunidade de agradecer aos Monfortinos do Brasil por nos conceder a almejada permissão para esta nova edição brasileira. Deus lhes pague!
 gradecimentos também à Editora italiana Fontana di
Nazareth, pela permissão para o uso da versão italiana como
base para esta nova edição, e para o uso dos belos desenhos
de Ada Kostner.
Somente Deus sabe o bem que esta obra pode produzir em nosso meio, como preparação ao Reino de Jesus Cristo, por meio de Maria, nossa Mãe Amorosíssima!
Caríssimos leitores, quisera eu poder distribuir este livro em todo o Brasil à mãos cheias, por um custo ínfimo, para poder oportunizar a todos conhecer melhor a Mãe, e assim melhor Amar e Servir o Filho, Jesus, nosso Amado Senhor e Mestre!

Prof. Edson José Reis
Diretor do Serviço de Animação Eucarística Mariana

01

Foi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por Ela que deve reinar no mundo.

02

Durante a vida, Maria permaneceu muito oculta. É por isso que o Espírito Santo e a Igreja lhe chamam Alma Mater, Mãe escondida e secreta. A sua humildade foi tão profunda, que não teve na Terra atrativo mais poderoso nem mais contínuo que o de se esconder de si mesma e de toda criatura, para que só Deus a conhecesse.

03

A fim de atender aos pedidos que Ela lhe fez para que a ocultasse, empobrecesse e humilhasse, aprouve a Deus ocultá-la na sua conceição e nascimento, na sua vida, mistérios, ressurreição e assunção, aos olhos de quase toda criatura humana. Seus próprios pais não a conheciam, e os anjos perguntavam muitas vezes entre si: “Quem é esta?” (Ct 8, 5), porque o Altíssimo lha escondia ou, se alguma coisa lhes revelava a seu respeito, infinitamente mais lhes ocultava.

04

Deus Pai consentiu em que Ela não fizesse milagres em vida, pelo menos manifestos, embora lhe tivesse dado poder para isso. Deus Filho permitiu que quase não falasse, embora tendo-lhe comunicado a sua sabedoria. Deus Espírito Santo deixou que os Seus Apóstolos e Evangelistas falassem muito pouco sobre Ela, apenas o necessário para dar a conhecer Jesus Cristo, apesar de Ela ser a sua esposa fiel.

05

Maria é a obra-prima por excelência do Altíssimo, cuja posse e conhecimento Ele reservou para si. Maria é a Mãe admirável do Filho o qual quis humilhá-la e escondê-la durante a vida para favorecer a sua humildade. Para este fim tratava-a pelo nome de “Mulher” (Jo 2, 4; 19, 26), como a uma estranha, embora no seu Coração a estimasse mais do que a todos os anjos e a todos os homens.
Maria é a fonte selada e a esposa do Espírito Santo, onde só Ele tem entrada. Maria é o Santuário e o Repouso da Santíssima Trindade, onde Deus está mais magnífica e divinamente que em qualquer outro lugar do universo, sem excetuar a sua morada acima dos querubins e serafins. Neste santuário nenhuma criatura, por mais pura que seja, pode entrar, a não ser por grande privilégio.

06

Digo com os santos: a divina Maria é o Paraíso Terrestre do novo Adão, onde Ele encarnou por obra do Espírito Santo, para aí operar maravilhas incompreensíveis. É o grande, o divino mundo de Deus, onde há belezas e tesouros inefáveis. É a magnificência do Altíssimo, onde Ele escondeu, como em seu Seio, o seu Filho Único e n'Ele tudo o que há de mais excelente e precioso. Que grandes e misteriosas coisas fez o Deus onipotente nesta admirável criatura, segundo Ela própria é forçada a dizer, a despeito da sua profunda humildade: “O poderoso fez em mim grandes coisas!” (Lc 1, 49). O mundo não conhece estas maravilhas, porque é incapaz e indigno disso.

07

Os santos disseram coisas admiráveis desta Santa Cidade de Deus. E, segundo o seu próprio testemunho, nunca foram tão eloqüentes nem tão felizes como quando d'Ela falavam. E depois disto exclamam que a sublimidade dos Seus méritos, que chegam até o trono da Divindade, não se pode perceber; que a extensão da sua caridade, maior que a Terra, não se pode medir; que a grandeza do seu poder, que até sobre o Deus se estende, não se pode compreender e, finalmente, que a profundeza da sua humildade e de todas as suas virtudes e graças é um abismo insondável. Ó sublimidade incomensurável! Ó abismo impenetrável!

08

Todos os dias, de um extremo a outro da Terra, no mais alto dos céus, no mais profundo dos abismos, tudo proclama e publica a admirável Virgem Maria. Os nove coros dos anjos, os homens de ambos os sexos, idades, condições ou religiões, os bons e os maus, e até os mesmos demônios, são forçados a chamá-la bem-aventurada. Quer queiram, quer não, a isso os obriga a força da verdade. Como diz São Boaventura, todos os anjos lhe cantam no Céu incessantemente: “Santa, Santa, Santa Maria, Mãe de Deus e Virgem!” E, todos os dias, lhe oferecem milhões de vezes a saudação angélica: “Ave, Maria...”, prostrando-se na sua presença e pedindo-lhe a mercê de os honrar com algumas das suas ordens. O próprio São Miguel - disse Santo Agostinho -, embora seja o príncipe de toda a corte celeste, é o mais diligente em lhe prestar toda espécie de homenagens e em fazer com que lhas tributem. Constantemente aguarda a honra de por Ela ser mandado em auxílio a alguns dos Seus servos.

09

Toda a Terra está cheia da sua glória, particularmente entre os cristãos, que a tomam por Patrona e Protetora em muitos reinos, províncias, dioceses e cidades. Quantas catedrais consagradas a Deus sob a sua invocação! Não há igreja sem um altar em sua honra, região ou cantão sem alguma de suas miraculosas imagens, ante as quais toda espécie de males são curados e se alcança toda espécie de bens. Quantas confrarias e congregações em sua honra! Quantos institutos religiosos colocados sob o seu nome e proteção! Quantos confrades e irmãs daquelas confrarias, quantos religiosos e religiosas de todos estes institutos publicam os Seus louvores e anunciam as suas misericórdias! Não há criancinha que, balbuciando a Ave, Maria, a não louve. Não há pecador, por mais empedernido, que não tenha, ao menos, uma centelha de confiança n'Ela. E não há, até, demônio algum no inferno que, temendo-a, a não respeite.

10

Depois disto, forçoso é dizer com os santos: “De Maria numquam satis!” Isto é, Maria não foi ainda suficientemente louvada e exaltada, honrada, amada e servida. Merece ainda muito maior louvor, respeito, amor e serviço.

11

Por isso, devemos dizer com o Espírito Santo: “Toda a glória da Filha do Rei lhe vem do interior” (Sl 44, 14). É como se toda a glória exterior que o Céu e a Terra lhe tributam à porfia não fosse nada em comparação com a que recebe interiormente do Criador! As pequenas criaturas desconhecem essa glória por não poderem penetrar no mais íntimo segredo do Rei.

12

Depois de tudo isto, temos de exclamar com o Apóstolo: “Nem os olhos viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração do homem compreendeu...” (1 Cor 2, 9) as belezas, as grandezas e a excelência de Maria, o mais sublime milagre da graça, da natureza e da glória. Se quereis compreender a Mãe, diz um santo, procurai compreender o Filho. Ela é a digna Mãe de Deus: “Que toda a língua aqui emudeça!”

13

Foi o meu coração que ditou o que acabo de escrever com particular alegria, a fim de mostrar como Maria Santíssima tem sido insuficientemente conhecida até agora e como é esta uma das razões por que Jesus Cristo não é conhecido como deve ser. Se é certo que o conhecimento e o Reino de Jesus Cristo se estabelecerão no mundo, não será mais que uma conseqüência necessária do conhecimento e do Reino da Santíssima Virgem Maria. Ela deu Jesus Cristo ao mundo a primeira vez, e há de fazê-lo resplandecer também segunda vez.

14

Com toda a Igreja confesso que Maria, não sendo mais que uma simples criatura saída das mãos do Altíssimo, é menor que um átomo, ou antes, não é nada em comparação com a sua majestade infinita, visto que só Deus é “Aquele que é” (Ex 3,14). Por conseguinte, este grande Senhor, sempre independente e bastando-se a si mesmo, não teve nem tem absoluta necessidade da Santíssima Virgem para o cumprimento dos Seus desígnios e para a manifestação da sua glória. Bastalhe querer para tudo fazer.

15

No entanto, supostas as coisas como são, tendo Deus querido começar e acabar as suas maiores obras pela Virgem Santíssima depois de a formar, digo que é de crer que não mudará de procedimento em todos os séculos (Rm 11, 29). Ele é Deus e não muda nem nos Seus sentimentos nem na sua conduta.

16

Deus Pai não deu ao mundo o seu Unigênito senão por Maria. Por mais ardentes que fossem os suspiros dos Patriarcas e as súplicas que durante quatro mil anos lhe fizeram os Profetas e os Santos da Antiga Lei para obterem esse tesouro, só Maria o mereceu. Só Ela encontrou graça diante de Deus pela força das suas orações e pela grandeza das suas virtudes. Diz Santo Agostinho que, não sendo o mundo digno de receber o Filho de Deus diretamente das mãos do Pai, este O deu a Maria, para que os homens O recebessem por Ela. O Filho de Deus fez-Se homem para nos salvar, mas foi em Maria e por Maria. Deus Espírito Santo formou Jesus Cristo em Maria, mas só depois de lhe ter pedido o consentimento por um dos primeiros ministros da sua corte.

17

Deus Pai, para dar a Maria o poder de produzir o seu Filho e todos os membros do seu Corpo Místico, comunicoulhe a sua fecundidade, na medida em que uma simples criatura a podia receber.

18

Como o novo Adão ao seu Paraíso Terrestre, assim desceu Deus Filho ao seio virginal de Maria para aí achar as suas delícias e operar, às escondidas, maravilhas de graça. O Deus feito homem encontrou a sua liberdade em se ver aprisionado no seio d'Ela; fez brilhar a sua força, deixando-se levar por essa jovem Virgem. Achou a sua glória, e a de seu Pai, escondendo os Seus esplendores a todas as criaturas da Terra, para só os revelar a Maria; glorificou a sua independência e majestade dependendo desta amável Virgem na sua concepção, nascimento, apresentação no templo, na sua vida oculta de trinta anos e, até, na sua morte. Maria devia assistir a essa morte, porque Jesus quis oferecer com Ela um mesmo sacrifício e ser imolado ao Eterno Pai com seu assentimento, como outrora Isaac também fora imolado à vontade de Deus pelo consentimento de Abraão. Foi Ela que o amamentou, nutriu, sustentou, criou e sacrificou por nós.
Ó admirável e incompreensível dependência de um Deus! Nem o Espírito Santo a pôde ocultar no Evangelho para nos mostrar o seu valor e glória infinita, embora tenha escondido quase todas as maravilhas operadas pela Sabedoria Encarnada durante a sua vida oculta. Jesus Cristo deu mais glória a Deus Pai pela sua submissão a Maria durante trinta anos do que lhe teria dado se convertesse toda a Terra operando os maiores prodígios. Oh! Quão altamente glorificamos a Deus quando nos submetemos, para lhe agradar, à Virgem Santíssima, a exemplo de Jesus Cristo, nosso único modelo!

19

Se examinarmos de perto o resto da vida de Jesus, veremos que Ele quis iniciar os Seus milagres por Maria. Santificou São João no seio de sua mãe, Santa Isabel, pela palavra de Maria. Logo que Ela falou, João ficou santificado; e este foi o primeiro milagre de Jesus na ordem da graça (Lc 1, 41- 44). Nas bodas de Caná, Jesus mudou a água em vinho, atendendo ao humilde pedido de sua Mãe; e este foi o seu primeiro milagre na ordem natural (Jo 2, 1-11). Começou e continuou os Seus milagres por Maria; por Ela os continuará até o fim dos séculos.

20

Sendo o Espírito Santo estéril em Deus, isto é, não produzindo nenhuma outra Pessoa Divina, tornou-se fecundo por Maria, a quem desposou. Foi com Ela e n'Ela e d'Ela que formou a sua obra-prima: um Deus feito homem, e que forma todos os dias, até o fim dos séculos, os predestinados e os membros do corpo que tem por cabeça o adorável Jesus. É por isso que, quanto mais numa alma Ele encontra Maria, sua amada e inseparável esposa, tanto mais operante e poderoso se torna para produzir Jesus Cristo nessa alma e essa alma em Jesus Cristo.

21

Não se quer dizer com isto que a Santíssima Virgem dê ao Espírito Santo a fecundidade, como se Ele a não tivesse. Ele é Deus e, por isso, possui a fecundidade (ou a capacidade de produzir) tal como o Pai e o Filho, embora a não transforme em ato, produzindo outra pessoa divina. O que se quer dizer é que o Espírito Santo reduz a ato a sua fecundidade por intermédio da Santíssima Virgem. Mas o Espírito Santo quer servir-se d'Ela, embora disso não tenha uma necessidade absoluta, para produzir n'Ela e por Ela Jesus Cristo e os Seus membros. Mistério de graça, escondido mesmo aos cristãos mais sábios e mais espirituais!

22

O procedimento que as três Pessoas da Santíssima Trindade tiveram na Encarnação e primeira vinda de Jesus Cristo, têm-no ainda todos os dias, duma maneira invisível, na Santa Igreja, e tê-lo-ão até a consumação dos séculos, na última vinda de Jesus Cristo.

23

Deus Pai juntou todas as águas e chamou-as mar; juntou as suas graças e chamou-as Maria. Este grande Deus tem um tesouro ou celeiro riquíssimo, onde encerrou tudo o que tem de belo, de resplandecente, de raro e precioso, incluindo o seu próprio Filho. E este tesouro imenso não é outro a não ser Maria, a quem os santos chamam o “Tesouro do Senhor”, de cuja plenitude os homens são enriquecidos.

24

Deus Filho comunicou à sua Mãe tudo o que adquiriu pela sua vida e morte, os Seus méritos infinitos e as suas admiráveis virtudes. Fê-la tesoureira de tudo o que o Pai lhe deu como herança. E assim é por meio de Maria que aplica os Seus méritos aos Seus membros, que comunica as suas virtudes e distribui as suas graças. Ela é o seu canal misterioso, o seu aqueduto, por onde faz passar, suave e abundantemente, as suas misericórdias.

25

Deus Espírito Santo comunicou a Maria, sua fiel esposa, os Seus dons inefáveis, e escolheu-a para dispensadora de tudo quanto possui. Deste modo, Ela distribui a quem quer, quanto quer, como e quando quer todos os Seus dons e graças, e nenhum dom celeste é concedido aos homens sem que passe por suas mãos virginais. Porque tal é a vontade de Deus, que quis que tudo recebamos por Maria. Desta forma é enriquecida, elevada e honrada pelo Altíssimo aquela que durante toda a vida se fez pobre, se humilhou e escondeu até o mais profundo nada, em sua extrema humildade. São estes os sentimentos da Igreja e dos Santos Padres.

26

Se eu falasse para os espíritos fortes da nossa época, estender-me-ia a provar mais vastamente tudo o que estou a expor dum modo simples, por meio da Sagrada Escritura, dos Santos Padres - de quem citaria as passagens latinas - e por meio de muitas sólidas razões que se poderão ler, amplamente expostas pelo Venerável Padre Poiré, na sua “Tríplice Coroa da Santíssima Virgem”. Mas falo particularmente para os pobres e simples que, tendo maior boa vontade e mais fé que o comum dos sábios, crêem mais simplesmente e com mais mérito. Por isso contento-me com declarar-lhes simplesmente a verdade, sem me deter com a citação de todas essas passagens latinas, que não compreendem. Não deixarei, no entanto, de citar algumas sem todavia me esforçar por procurálas. Continuemos.

27

Visto que a graça aperfeiçoa a natureza e a glória aperfeiçoa a graça, é certo que Nosso Senhor, no Céu, é ainda tão filho de Maria como o foi na Terra. Conservou, portanto, a submissão e a obediência do mais perfeito de todos os filhos para com Maria, a melhor das mães. Cuidemos, porém, de não ver nesta dependência rebaixamento algum de Jesus ou alguma imperfeição. Maria, estando infinitamente abaixo de seu Filho, que é Deus, não se lhe impõe como uma mãe da Terra o faz a seu filho, que lhe é inferior. Maria está toda transformada em Deus pela graça e pela glória, que transformam n'Ele todos os santos. Por isso não pede, não quer, não faz nada que seja contrário à eterna e imutável vontade de Deus. Quando, pois, se lê nos escritos de São Bernardo, São Bernardino, São Boaventura etc., que no Céu e na Terra tudo está sujeito a Maria, até o próprio Deus, deve apenas entender- se que a autoridade que Deus lhe quis conceder é tão grande que parece igualar o poder divino, e que as suas orações e súplicas são tão poderosas junto de Deus que equivalem sempre a ordens junto da sua majestade. Ele não resiste nunca à oração de sua dileta Mãe, porque é sempre humilde e conforme à sua vontade. 
Moisés deteve tão poderosamente a cólera de Deus contra os Israelitas, pela força da sua oração, que este altíssimo e infinitamente misericordioso Senhor, não lhe podendo resistir, pediu-lhe que o deixasse encolerizar-Se e castigar aquele povo rebelde (Ex 32, 10). O que então não devemos pensar, com muito mais razão, da humilde oração de Maria, mais poderosa junto de Deus que as preces e as intercessões de todos os anjos e santos do Céu e da Terra?!

28

No Céu, Maria impera aos anjos e aos bem-aventurados. Como recompensa da sua profunda humildade (Lc 1,48), deu-lhe Deus o poder e o encargo de encher de santos os tronos deixados vazios pela orgulhosa queda dos anjos apóstatas. É vontade do Altíssimo, que exalta os humildes (Lc 1, 52), que o Céu, a Terra e os infernos obedeçam, livre ou forçadamente, às ordens da humilde Maria. Fê-la soberana do Céu e da Terra, condutora dos Seus exércitos, guarda dos Seus tesouros, dispensadora das suas graças, obreira das suas grandes maravilhas, reparadora do gênero humano, medianeira dos homens, vencedora dos inimigos de Deus e fiel companheira de suas grandezas e triunfos.

29

Deus Pai quer formar filhos por Maria, até a consumação do mundo, e diz-lhe estas palavras: “Habita em Jacó” (Eclo 24, 13). Isto quer dizer: faze a tua morada e habitação entre os meus filhos e predestinados, figurados por Jacó, e não entre os filhos do demônio e os réprobos, figurados por Esaú.

30

Como na geração natural e corporal há um pai e uma mãe, assim também na geração sobrenatural e espiritual há um pai, que é Deus, e uma mãe, que é Maria. Todos os verdadeiros filhos de Deus e predestinados têm a Deus por pai e a Maria por mãe; e quem a não tem por mãe, não tem Deus por pai. Eis porque os réprobos, como os heréticos, os cismáticos etc., que odeiam ou olham com desprezo ou com indiferença a Santíssima Virgem, não têm Deus por pai, ainda que disto se gloriem, porque não têm Maria por mãe. Pois se a tivessem por mãe, honra-la-iam e ama-la-iam como um verdadeiro e bom filho ama e honra naturalmente sua mãe, que lhe deu a vida.
O sinal mais infalível e indubitável para distinguir um herético, um homem de má doutrina, um réprobo de um predestinado, é que o herético e o réprobo não têm senão desprezo ou indiferença pela Santíssima Virgem. Com suas palavras e exemplos, abertamente ou às ocultas, esforçam-se por lhe diminuir o culto e o amor, e isso por vezes sob belos pretextos. Ah! Deus Pai não disse a Maria para habitar com eles, porque são Esaús.

31

Deus Filho quer ser formado e, por assim dizer, encarnar todos os dias por intermédio de sua muito amada Mãe, nos Seus membros, e diz-lhe: “Recebe Israel por herança” (Eclo 24, 13). É como se dissesse: Meu Pai deu-me por herança todas as nações da Terra, todos os homens, bons e maus, predestinados e réprobos. Conduzirei uns com vara de ouro e outros com vara de ferro. Serei Pai e Advogado de uns, Justo Vingador de outros e Juiz de todos. Mas Vós, minha Mãe, não tereis por herança e posse senão os predestinados, de quem Israel é figura. Como sua boa mãe os dareis à luz, os alimentareis e educareis; como sua soberana os conduzireis, governareis e defendereis.